Sobre 

O Brasil tem em seu território nacional cerca de 305 povos indígenas, falantes mais de 180 línguas, porém seus caciques e pajés mais antigos, detentores dos saberes tradicionais, da tradição cultural e da espiritualidade ancestral encontram-se isolados em suas aldeias sem que suas vozes sejam ouvidas fora de suas próprias comunidades de origem e sem espaço para participar de forma protagonista da discussão nacional das questões indígenas, ambientais e dos principais temas, ameaças e preocupações que afligem os povos originários em todo o país.

A ideia de criar o Parlamento Indígena do Brasil surgiu numa reunião de destacadas lideranças indígenas realizada em outubro de 2017, no centro de treinamento do CIMI em Luiziânia, da qual participaram caciques tradicionais como Raoni Metuktire, Aritana Yawalapiti, Almir Suruí, Davi Kopenawa, Megaron Txucarrame, Paulinho Paiakan, Afukaká Kuikuro, Álvaro Tukano, Benki Ashaninka, Kanato Yawalapiti, Ianukulá Kayabi Suyá, Juma Xipaya, entre outras lideranças indígenas presentes.
 
Neste encontro de lideranças, houve consenso que, como os povos indígenas nunca tiveram representatividade no Congresso Nacional pois, até a eleição da deputada federal Joênia Wapichana em 2018, o cacique Mario Juruna tinha sido o único parlamentar indígena sendo eleito deputado federal em 1983, com apoio de Darcy Ribeiro, na época vice-governador do Rio de Janeiro durante o governo Leonel Brizola, a melhor alternativa de ação para assegurar a representatividade política e dar voz aos povos originários do Brasil seria a criação de um "Parlamento Indígena" alternativo, um "Parlaíndio" organizado à moda indígena e sem submeter-se às exigências burocráticas dos não índios ser fundado com base na liturgia indígena tradicional.

No final da reunião em Luiziânia, foi decidida por unanimidade a criação do "Parlamento Indígena do Brasil", conforme as visões expressadas pelas lideranças presentes. E ainda que seria elaborado um projeto pelo Instituto Raoni, em parceria com a Fundação Darcy Ribeiro, com vistas a obter apoio institucional e captar os recursos necessários para viabilizar sua implantação e continuidade de atuação.

A principal missão do Parlaíndio será possibilitar que lideranças tradicionais que vivem em aldeias no meio da floresta possam participar de assembleias indígenas em salas de reunião virtual, pela internet, com periodicidade mensal e acessíveis via web às lideranças indígenas de todo o Brasil e a todas as pessoas interessadas na busca de soluções das questões e políticas públicas indigenistas e ambientais da atualidade, neste momento de graves ameaças aos direitos constitucionais dos povos indígenas.

O presidente de honra do Parlaíndio será o Cacique Raoni Metuktire e o coordenador executivo o Cacique Almir Suruí. Como demais fundadores, além das lideranças que participaram da reunião de 2017, serão convidados outros caciques e pajés tradicionais de várias etnias, a fim de dar legitimidade e assegurar a representatividade nacional do Parlamento Indígena do Brasil.

O objetivo a curto prazo é realizar assembleias digitais do Parlamento Indígena, com acesso liberado a todos indígenas e não indígenas interessados na questão indígena. As assembleias serão transmitidas pelas redes sociais do Parlaíndio, pelo YouTube, Facebook e Instagram, além de disponibilizar no site do Parlaíndio os links para as gravações de todas as assembleias. 

Dar voz e visibilidade política às lideranças indígenas tradicionais com transparência total às suas reuniões, debates e deliberações serão pilares fundamentais da liturgia e do funcionamento do Parlamento Indígena do Brasil.